NASCIMENTO PARA OS CÉUS DO
PROTO-DIÁCONO MIGUEL

   
 
   
 

Precisamente porque falar sobre o Nosso Proto-diácono, recorda-nos a sua incontornável ausência; a certeza de não voltarmos a partilhar com ele a celebração da Liturgia que durante 13 longos e, tão curtos anos, partilhámos;  

Implica recordar o vazio sentido pela sua vacuidade aquando da última celebração litúrgica (Domingo das Santas Relíquias) ocorrida no Mosteiro do Nascimento da Mãe de Deus, em que não o entrevimos e, de novo, reencontrámos a certeza gélida, fria e austera de, na próxima Liturgia, o não avistarmos novamente. 

Os homens – em geral – sempre gostam de enaltecer as mais relevantes e generosas características pessoais de quem parte, de quem morreu, de quem já não está presente para gritar bem alto do túmulo e denunciar a perversa hipocrisia que encobre a genuína e verdadeira dimensão de bondade,

mansidão e serenidade ou, da malvadez, ruindade e crueldade de quem viveu e nos deixou como herança a inalterabilidade impassível e imutável da sua vida e da forma como a viveu; 

Se tivessem voz, quantos não viriam do além-túmulo, reclamar justiça pelas aleivosias, infâmias e calúnias que sobre os mesmos alguém terá proferido?! 

Ao invocarmos o nome do Nosso Bem-amado Proto-Diácono Miguel, não incorremos nesse risco, precisamente porque este Sacerdote da Igreja de Cristo, teve ao longo da sua vida em Igreja, uma vida perfeitamente definida e clara;  

Sempre foi disponível;

Sempre foi leal com o seu Metropolita e com os seus Pares no Sacerdócio;

Sempre esteve presente, não quando podia, mas em todas as vezes em que foi chamado e reclamada a sua disponibilidade e serviço, precisamente nunca no seu tempo mas no tempo que a Igreja lhe indicava como útil e necessário; 

Sempre pugnou por ser melhor Sacerdote em cada Liturgia que celebrava; 

Antes de ser Sacerdote, também sempre batalhou e pelejou por ser um bom marido e um bom pai; 

Sempre amou a Igreja e o seu Serviço de Sacerdote (na Ordem Maior do Diaconado) com rigor e exigência, as quais não poucas vezes granjeavam o descontentamento, desagrado e dissabor de muitos; 

Por fim e, não menos importante, Amava a Igreja e defendia o seu Metropolita, como amava e defendia a sua própria vida; 

Quando a vida é timbrada pelo amor e o amor tornado vida, saboreado e vivido em cada momento de Serviço prestado aos outros como sempre fez o Padre Proto-Diácono Miguel, não convém falar demais para não dizermos burrices e imbecilidades, nem falarmos de menos para não pecarmos por injustiça e arbitrariedade. 

Donde, mais do que continuar a falar sobre o Nosso Bem-amado Proto-Diácono, convido a todos a recordarem a sua vida e a seguirem o seu exemplo despojado de comodismo e pleno de viçoso júbilo, qualidades e virtudes que incessantemente emprestava a tudo o que fazia em Igreja. 

Possa o Senhor Nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, recebê-lo no Seu Reino e dele guardar Memória Eterna. 

Apresentamos diante do Proto-diácono Miguel, a gratidão de toda a Igreja Ortodoxa de Portugal por todo o Amor com o qual permanentemente ungiu o Labor, Tarefas e Serviço que lhe foram solicitadas. 

Com Eterna Saudade, Memória Imorredoira e Grato Reconhecimento por ter Connosco partilhado 13 anos gloriosos da sua vida. 

+João 

Arcebispo Ortodoxo de Braga e Lisboa

Metropolita e Primaz de Portugal, Espanha e Todo o Brasil

 

 

   
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